quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Uso da Crase

Crase é a fusão de duas vogais idênticas (preposição + artigo). Representa-se graficamente a crase pelo acento grave [1].

Há crase:

  • Se couber “ao” trocando a palavra feminina alvo do artigo por outra masculina.
    • Ela se dirigiu à Juíza => Ela se dirigiu ao Juiz;
    • Sua camisa é igual à do meu pai => Seu casaco é igual ao do meu pai; mas
    • Tráfego proibido a motocicletas => Tráfego proibido a caminhões;
  • Se vou “ à ” tenho que voltar “da”;
    • Vou à Bahia, pois volto da Bahia;
    • Vou a Pernambuco, pois volto de Pernambuco;
  • Se tem sentido de “ à moda de ”, “ ao estilo de ”;
    • Ele escreve à Machado de Assis; Ele escreve ao estilo de Machado de Assis;
    • Ovos à vovó França; Ovos à moda de vovó França;
  • Se forem conjunções (adverbiais, prepositivas, conjuntivas) com palavras femininas: “ à beça ”, “ à custa de ”, “ à deriva ”, “ à direita ” etc ;
    • Ela fala à beça!
    • Ele venceu à custa de muito esforço!
    • O barco ficou à deriva;
    • Na próxima esquina vire à direita;
  • Se vendeu à vista, com “ à vista ” um adjunto adverbial de modo.
    • Obs.: Vendeu a vista (objeto direto), vendeu o olho, vendeu o panorama.
NÃO há crase:
  • Se “a terra” tem sentido de desembarque:
    • O marinheiro decidiu ir a terra; (qualquer outro sentido há crase):
    • Maria sonha em voltar à terra de seus pais;
  • Se “a casa” sendo a casa do interlocutor:
    • Decidi voltar a casa; (se especificar qual é a casa, há crase):
    • Dedidi voltar à casa de meus pais;
    • Jonas regressou à Casa Martins Pena;
  • Antes de verbo, mesmo em locuções verbais:
    • “A reunião será a partir das 14 horas”;
    • Prefiro isso a aceitá-l0 na empresa;
  • Se houver outra preposição diferente de 'a':
    • “Ele está aqui desde as 14 hs.”, “após as, para as ...”;
  • Antes de palavra masculina;
    • Maria referiu-se ao documento;
  • Antes de artigo indefinido (uma, umas ...);
  • Antes de pronomes indefinidos (alguém, qualquer, toda ...);
  • Antes de pronomes demonstrativos (esta, essa, isso ...);
  • Antes de pronomes pessoais (mim, ela, ele ...);
  • Antes de pronomes de tratamento (S. Exa., Dona ...). Exceção:
    • à senhorita,
    • à doutora,
    • à madame;
É Facultativo o uso da crase:
  • Antes de pronomes possessivos femininos;
    • João dirigiu-se a (ou à) sua fazenda;
  • Antes de nomes de pessoas, a não ser que seja um conhecido, ai leva crase:
    • Refiro-me a (ou à) Joana D'arc,
    • Refiro-me a (ou à) Pelé; mas
    • Refiro-me à Joana, indica que eu conheço a Joana [2].
  • Depois da preposição até:[1]
    • Por favor acompanhe-o até a (ou à) porta;

Referências:
[1] AlgoSobre
[2] Português do Dia-a-Dia: Como Falar e Escrever Melhor - Sérgio Nogueira Duarte da Silva;

O que é dissertar?

Tudo que se escreve tem o nome genérico de redação (ou composição). Existem três tipos de redação: a descrição, a narração e a dissertação. Vamos ver alguns conceitos [1]:

  1. Descrição: escrever sobre as características de um determinado objeto, paisagem, ambiente ou pessoa.
  2. Narração: escrever sobre um ou mais fatos ocorridos em determinado tempo e lugar com determinados personagens.
  3. Dissertação: escrever uma exposição de idéias gerais, seguidas da apresentação de argumentos que as comprovem.
Os três tipos de redação são distintos e inconfundíveis. Enquanto a descrição aponta elementos que caracterizam os seres, objectos, ambientes e paisagens, a narração tem a idéia de ação, movimento empreendido pelos personagens. Já a dissertação é bem distinta, nela não se fala de pessoas ou fatos específicos, a menos que esses fatos devam fazer parte da argumentação que provará ou ajudará a provar a tese. Nela ocorre a analise de certos assuntos que são abordados de modo impessoal.

Mas o que é uma dissertação?

Segundo Marina Cabral "dissertar é, através da organização de palavras, frases e textos, apresentar idéias, desenvolver raciocínio, analisar contextos, dados e fatos. Neste momento temos a oportunidade de discutir, argumentar e defender o que pensamos através da fundamentação, justificação, explicação, persuasão e de provas"[2].

Hélio Consolaro é mais preciso: "Existem dois tipos de dissertação: a dissertação expositiva e a dissertação argumentativa. A primeira tem como objetivo expor, explicar ou interpretar idéias; a segunda procura persuadir o leitor ou ouvinte de que determinada tese deve ser acatada. Na dissertação argumentativa, além disso, tentamos, explicitamente, formar a opinião do leitor ou ouvinte, procurando persuadi-lo de que a razão está conosco."[3]

Observa-se claramente que a primeira definição tem relação com a dissertação argumentativa descrita pelo segundo autor.


Referências:
[1] Língua Portuguesa
[2] Brasil Escola
[3] Por trás das letras